TÍTULO: As intermitências da morte

AUTOR:José Saramago

EDITORA: Companhia das Letras 

ANO: 2005

PÁGINAS: 207

SINOPSE:Cansada de ser detestada pela humanidade, a ossuda resolve suspender suas atividades. De repente, num certo país fabuloso, as pessoas simplesmente param de morrer. E o que no início provoca um verdadeiro clamor patriótico logo se revela um grave problema. Um por um, ficam expostos os vínculos que ligam o Estado, as religiões e o cotidiano à mortalidade comum de todos os cidadãos. Mas, na sua intermitência, a morte pode a qualquer momento retomar os afazeres de sempre.

"No outro dia ninguém morreu" 

            Os livros possuem uma forma ímpar de nos promover reflexões. Já comentei, mais de uma vez aqui, que eles possuem um poder enriquecedor. Com essas frases, inicio a resenha de um dos livros que ficará no rol dos meus 50 favoritos "da vida". José Saramago, um mestre da literatura, discorre, de uma maneira completamente diferente e com uma sagacidade incrível, sobre um dos pontos que mais preocupam a vida de um ser humano: a morte. Não sou muito adepta de generalizações, mas possivelmente, todos nós já sonhamos com a imortalidade. E no livro, Saramago, nos dá essa oportunidade de imaginar: "E se fossemos eternos?" É então que descobrimos que talvez esse sonho não seja algo muito prático. 

             Num país, cujo o governo é aristocrático, as pessoas param de morrer após a virada do ano. Num primeiro momento uma felicidade se alastra, as pessoas  creem que o pais virou o paraíso na terra, até mesmo passam a achar que estão sendo invejadas por outros países. Acontece que a imortalidade cobra seus preços e em meio a felicidade, os habitantes se veem tendo que cuidar de pessoas, que mesmo imortais, continuam envelhecendo e passando pelos problemas da velhice. Com isso, Saramago passa a narrar, de forma crítica e bastante irônica, os problemas que a imortalidade pode causar.
             Uma leitura tranquila para os leitores de Saramago, alguns críticos dizem que essa obra é uma das mais fáceis de ler. No entanto, para os novos leitores, que nunca leram nada dele, digo que no início é pesado. A forma como José Saramago escreve é bastante ímpar. Dificilmente, você encontrará um ponto de interrogação, um travessão para o diálogo, sequer um ponto. Ele escreve com fluencia, como se estivesse narrando oralmente, mas mesmo assim, não deixa de ter sua beleza. Recomendo que no começo leiam em voz alta, para se acostumarem com o ritmo.

              No decorrer da leitura, fui marcando diversas passagens, frases impactantes e que nos levam a pensar. Em certo momento, encontramos o diálogo, a seguir, entre um bispo e um político, este último havia feito um pronunciado sobre o que estava acontecendo no país, acontece que o político cometeu um deslize ao dizer que a imortalidade só poderia ser obra de deus. O que, conforme o bispo, foi uma blasfêmia, uma vez que a igreja é calcada no principio de que se morre primeiro, para depois ressucitar. Desde Cristo, estariamos esperando a ressureição. Após esse esclarecimento, segue o trecho, que contém levemente uma critica à política e também à religião, que convenhamos, é bastante pontual:

De facto, por essas exactas palavras, não, mas admitiu a possibilidade de que a imortalidade do corpo resultasse da vontade de deus, não será preciso ser-se doutorado em lógica transcendental para perceber que quem diz uma cousa, diz a outra, Eminência, por favor, creia-me, foi uma simples frase de efeito destinada a impressionar, um remate de discurso, nada mais, bem sabe que a política tem destas necessidades, Também a igreja as tem, senhor primeiro-ministro, mas nós ponderamos muito antes de abrir a boca, não falamos por falar, calculamos os efeitos à distância, a nossa especialidade, se quer que lhe dê uma imagem para compreender melhor, é a balística, Estou desolado, eminência, No seu lugar também o estaria. (p.18) (No trecho, as frases em itálico são falas do padre e as sem itálico são do político, em destaque a crítica)
          Críticas a parte, a narrativa tem suas parte poéticas, seus momentos emocionantes. Em determinado momento conhecemos a personagem morte, e ela, para além de ser enigmática, será um achado na história. Contará a sua versão dos fatos, contará como se sente injuriada pelo ódio que os seres humano tem dela e nos ensinará mais um pouco. Enfim, o livro é ótimo e sua leitura vale muito a pena. 

Um Abraço, e até a próxima resenha!  


13 Comentários

  1. Por isso que Saramago será imortalizado na literatura. Nao teve medo de revelar seus posicionamentos enfrentando os modelos e padrões de nossa sociedade. Lerei em breve :)

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  2. Esse ainda não li, mas já deu vontade. Valeu a dica Iggy. ;)

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  3. Oi amada parabéns pelo blog! eu anida não li! vou procurar para comprar! deve ser muito bom! faço parte do blog Agenda dos Blogs, estou te segundo, beijinhosssssssss

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    1. Obrigada pelo carinho Rubia! Adorei o blog Agenda dos Blogs!
      Abraços !

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  4. Parabéns pela resenha! beijinhossssssssss

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  5. Adorei o blog amo livros,já estou seguindo para ficar por dentro das novidades bjs https://meninaencanta.blogspot.com.br/

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  6. já li José Saramago e concordo que o modo de escrita dele pode surpreender no começo. Gostei bastante da sua resenha e do modo como você escreve, me deixou curiosa e louca para ler mais um livro desse autor incrível.
    http://izumiy.blogspot.com.br/

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  7. Adorei encontrar um blog com livros realmente memoráveis, além de uma ótima resenha com visão de uma colega de profissão!
    Desde a faculdade, me apaixonei por Vidas Secas e não consegui ler nenhum outro livro dele, por medo de não gostar. Depois de ler esse post, acho que vou dar uma nova chance <3
    Obrigada pelo post!
    A Bela, não a Fera blog | A Bela, não a Fera Youtube | Converse comigo no Twitter!

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  8. Que resenha incrível, nunca li nada dele mas vou procurar ;D Parece um tanto complexo mas a gente se acostuma.

    Beijos, Carol
    Blog com V.

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